Percorrer por autor "Ferreira, Carlos Miguel"
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- Contágio : contribuição para a epistemologia e a ética da saúde públicaPublication . Marques, Manuel; Ferreira, Carlos MiguelO pensamento médico europeu acerca das epidemias – desde a oposição limpo/sujo, à poluição, à malaria, aos seminariae pestíferos até à microbiologia do séc. XIX – esteve sempre dominado pelas figuras do miasma, do asqueroso, do excremento, do imundo, do corrupto, do contágio. Adoptando genericamente o quadro teórico foucaultiano, investigamos aspectos da epistemologia histórica e da ética da Saúde Pública. Focamos, sucintamente, o Sanatório como paradigma da história recente da gestão pública da tuberculose (TB) em Portugal e (ainda mais esquematicamente), discutimos, em paralelo, os problemas epistémicos, técnicos e éticos suscitados pelos perigos de uma pandemia de gripe. Abordamos o estatuto da disjunção contágio/transmissão, os sistemas de inclusão e de exclusão, as diferenças entre incerteza, risco, perigo, precaução e prevenção. Tematizamos o poder disciplinar, a reificação, a indiferenciação, a biopolítica. Propomo-nos dar um contributo para o debate público em torno de uma Ética da precaução, mostrando que a pragmática da Saúde Pública não deixa de convocar, a vários níveis, as velhas categorias doethos médico, entre elas, a catarse, a crise e o kairos.
- Epidemias : "o Antigo Regime do Mal" : gestão colectiva da saúde e da doença na Beira InteriorPublication . Ferreira, Carlos MiguelA epidemia, fenómeno colectivo e social, o «antigo regime do mal», apresenta como características o número, a impotência e a morte, a exclusão. As epidemias podem ser consideradas, simultaneamente, como reveladoras da interacção entre o mundo médico e o mundo político e como catalisadoras da dinâmica da saúde pública. Procura-se compreender o processo de gestão colectiva das epidemias. A gestão colectiva da doença remete-nos para um processo social concebido para coordenar e controlar as actividades de interpretação, de prevenção da doença e da produção da saúde pública. A gestão colectiva da doença e da saúde pode ser designada como saúde pública a partir do momento em que entra no domínio político, entendido como organização do «governo da vida» em torno de valores partilhados, mas também de referências concorrentes e mesmo de normas conflituais. Até inícios do século XIX, a saúde pública limitava-se essencialmente a uma aplicação técnica e a uma prática administrativa: tratava-se de desenvolver medidas de isolamento, de controlo, de vigilância, de saneamento, segundo protocolos geralmente simples, apoiados por dispositivos mais ou menos constrangedores.
