Publicação
Tecendo memórias, construindo identidades – A Escola de Enfermagem de Castelo Branco – 77º Aniversário da ESALD
| datacite.subject.fos | Ciências Sociais | |
| dc.contributor.author | Henriques, Helder | |
| dc.date.accessioned | 2026-04-27T16:19:31Z | |
| dc.date.available | 2026-04-27T16:19:31Z | |
| dc.date.issued | 2025 | en_US |
| dc.date.updated | 2026-04-16T17:40:33Z | |
| dc.description | Documento produzido na celebração do Aniversário da ESALD. | |
| dc.description.abstract | O estudo das instituições escolares, dos seus atores educativos, dos saberes científicos que se produzem e transmitem nas instituições de ensino, da cultura organizacional construída, do modo como se ensina, mas também da forma como se relacionam com o contexto que envolve as organizações educativas, confere-lhes um estatuto de elevado interesse científico no processo de construção de profissões ou da transformação de atividades ocupacionais em atividades profissionais. É o caso da enfermagem em Portugal e do percurso que foi construindo, particularmente, ao longo da segunda metade da centúria de novecentos. O objetivo principal deste trabalho consiste em discutir o papel das Escolas de Enfermagem portuguesas na segunda metade do século XX. Para tal, utiliza-se como “arena” de discussão a Escola de Enfermagem de Castelo Branco no período que se inicia com a sua criação, em 1948, até ao momento da sua integração no Sistema Educativo Nacional (1986) e no ensino superior politécnico (1988)[1]. Ao longo do texto encontramos diversas referências teóricas, cujo objetivo principal passa pela evidente e necessária relação com um conjunto de abordagens que permitem “colocar em crise” a importância das escolas de enfermagem na conquista do estatuto de profissão; por outro lado, encontraremos, igualmente, variadíssimas referências ao percurso histórico da Escola de Enfermagem de Castelo Branco. Por fim, oferecemos à estampa um conjunto de 5 testemunhos orais de antigos professores e/ou alunos da Escola Albicastrense (Henriques, 2012) que constituem elementos fundamentais para a compreensão do processo histórico da instituição, mas também para a interpretação da enfermagem enquanto grupo profissional. A busca do conhecimento com o objetivo de alcançar a compreensão sobre o processo de construção da enfermagem como atividade profissional, reconhecida socialmente e cientificamente, constitui uma oportunidade para, além de se exporem sumariamente diversas teorias no âmbito da Sociologia das Profissões, interpretar o caminho construído e analisar o processo de afirmação da sua respeitabilidade social e profissional. Um olhar sobre uma atividade profissional como a enfermagem – cuja construção é permanente e relacional – representa a análise de um conjunto amplo de escolhas que os diferentes atores educativos, políticos, sindicais ou outros, foram produzindo com o objetivo de construir, com a necessária solidez, uma jurisdição profissional (Abbot, 1988) com estatuto reconhecido socialmente. Este processo aconteceu com o particular contributo das Escolas de Enfermagem que ao longo do século XX foram surgindo um pouco por todo o país. Contudo, há variáveis que devemos ter em conta quando estudamos, principalmente, atividades relacionadas com “os grupos que cuidam”. Em regra, estes grupos estão associados a “uma extensão do trabalho que espera as mulheres na esfera doméstica, e neste sentido o trabalho que podem desenvolver ‘naturalmente’” (Abbot e Meerabeau, 1998, pp. 8) no contexto da esfera pública. Esta perspetiva acrescenta uma variável relevante – o género - no processo de análise e de construção das profissões (Amâncio, 1993). A enfermagem não escapa a este processo onde o ato de cuidar encontra, do ponto de vista histórico, no género feminino o elemento central do processo de construção de um grupo que, ao longo da segunda metade da centúria de novecentos, pretendeu estabilizar-se como atividade profissional e alcançar o reconhecimento social, que entendia merecer. Assim, a dimensão do género introduz maior complexidade à análise destes grupos uma vez que, socialmente, estamos perante uma “visão masculinizada da divisão do trabalho” (Henriques, 2014, pp. 52) tornando-se, na nossa perspetiva, um entrave ao reconhecimento da própria atividade, na medida em que representa a visão de uma sociedade profundamente patriarcal (Witz, 1992). Outro elemento relacionado com o ato de cuidar prende-se com a perceção instalada de que se tratava de um ato essencialmente emocional. Também esta narrativa contribuiu para que a enfermagem se debatesse ao longo do seu processo de afirmação com a necessidade de distinguir aquilo que significava “preocupar-se com” e “cuidar de” (Abbott e Meerabeau, 1998, pp. 10). Esta discussão leva-nos ao “problema” da cientificidade da enfermagem ou da formalização dos conhecimentos em enfermagem e à seguinte questão: Quando nos referimos ao ato de cuidar estamos a associá-lo a uma réplica de cuidados “genderizados” e moralmente instituídos na esfera pública, como aconteceu no período do Estado Novo, ou estamos a assumir que o ato de cuidar é construído por conhecimentos especializados que se aprendem em instituições “acreditadas” num percurso académico relativamente longo e obedecendo a princípios de racionalidade? Este é o binómio em que se foi produzindo a identidade e a jurisdição profissional do grupo dos enfermeiros em Portugal. A questão anterior remete-nos para a importância da criação de diversas instituições especializadas que promoviam o ensino da enfermagem, o saber-fazer e a compreensão sobre aquilo que se fazia quer em contexto escolar e/ou académico, mas também em contexto prático onde os estudantes realizavam as suas primeiras incursões no mundo da enfermagem. Assim, a formação especializada constituiu um instrumento de afirmação da enfermagem e de delimitação do seu campo de ação (Bourdieu 1985). Depois destas primeiras palavras, façamos uma breve viagem suportados pela Sociologia das Profissões que, acreditamos, permitirá uma compreensão mais fundamentada da problemática das profissões e da importância das instituições escolares em todo este processo. A questão anterior remete-nos para a importância da criação de diversas instituições especializadas que promoviam o ensino da enfermagem, o saber-fazer e a compreensão sobre aquilo que se fazia quer em contexto escolar e/ou académico, mas também em contexto prático onde os estudantes realizavam as suas primeiras incursões no mundo da enfermagem. Assim, a formação especializada constituiu um instrumento de afirmação da enfermagem e de delimitação do seu campo de ação (Bourdieu 1985). Depois destas primeiras palavras, façamos uma breve viagem suportados pela Sociologia das Profissões que, acreditamos, permitirá uma compreensão mais fundamentada da problemática das profissões e da importância das instituições escolares em todo este processo. | por |
| dc.description.version | info:eu-repo/semantics/publishedVersion | |
| dc.identifier.citation | HENRIQUES, Helder (2025) - Tecendo memórias, construindo identidades – A Escola de Enfermagem de Castelo Branco. Castelo Branco : IPCB. 74 p., il. | |
| dc.identifier.slug | cv-prod-4616096 | |
| dc.identifier.uri | http://hdl.handle.net/10400.11/10849 | |
| dc.language.iso | por | |
| dc.peerreviewed | n/a | |
| dc.publisher | IPCB | en_US |
| dc.rights.uri | http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ | |
| dc.subject | Enfermagem | |
| dc.subject | Ensino de enfermagem | |
| dc.title | Tecendo memórias, construindo identidades – A Escola de Enfermagem de Castelo Branco – 77º Aniversário da ESALD | en_US |
| dc.type | book | en_US |
| dspace.entity.type | Publication | |
| oaire.citation.title | Tecendo memórias, construindo identidades – A Escola de Enfermagem de Castelo Branco | |
| oaire.version | http://purl.org/coar/version/c_970fb48d4fbd8a85 | |
| rcaap.cv.cienciaid | E816-5481-FB9B | Helder Manuel Guerra Henriques | |
| rcaap.rights | openAccess | en_US |
